domingo, 7 de dezembro de 2008

Amigos

Amigos

Amigo pra comemorar
Amigo pra chorar
Amigo pra conversar
Amigo pra xingar (os outros)
Amigo pra rir
Amigo pra sair
Amigo pra dançar
Amigo pra comer
Amigo gourmet
Amigo gourmand
Amigo pra ficar em casa
Amigo pau pra toda Obra
Amigo longe
Amigo perto
Amigo confidente
Amigo divertido
Amigo sério
Amigo que fala
Amigo que ouve
Amigo que escreve
Amigo artista
Amigo esportista
Amigo pro samba
Amigo pra ir no cinema
Amigo pra ir pra Rússia
Amigo pra ir pra Cuba
Amigo pra ir pra São Paulo
Amigo pra cachoeira
Amigo pra mergulhar no mar
Amigo carinhoso
Amigo crítico
Amigo ausente
Amigo presente
Amigo sério
Amigo certinho
Amigo maluquinho
Amigo hippie
Amiga patty
Amigo maurício
Amigo feliz
Amigo triste
Amigo boêmio
Amigo workaholic
Amigo preguiçoso
Amigo prestativo
Amigo organizado
Amigo desorganizado
Amigo das artes
Amigo brega
Amigo fashion
Amigo cult
Amigo natureba
Amigo carnívoro
Amigo que odeia azeitona.
Amigo que adora.
Amigo pra comer pipoca.
Amigo que usa aparelho.
Amigo enrolado
Amigo disponível.
Amigo simplesmente.
Cada amigo tem o seu jeitinho de ser.
Mas o que mais importa
é ser amigo
Amigo de verdade.

(A amiga Samantha pode criticar minha atual caretice, mas além dos amigos serem tão importantes para mim, passar o dia ontem com amigos queridos foi tão bacana que me deu vontade de escrever sobre amizade...)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Continuando a pesquisa...



Resolvi aumentar a amostragem da pesquisa para tentar mostrar que minha teoria está errada. Seria ótimo se ela estivesse... Mas, de novo, estava feliz com o moço, tudo indo de vento em popa, mas o negócio não teve prosseguimento...


Desta vez escolhi um brasuca em vez de gringo para ver se o problema era a nacionalidade (porque muitos homens acham que nós, brasileiras, somos mais calientes e daí se preocupam se vão ou não corresponder às nossas expectativas - bem, foi isso que me disseram alguns deles...). Mas não adiantou... Ele ficou arrasado... Enfim... Vou continuar a pesquisa porque preciso provar que a minha hipótese está errada e só estou dando azar... Porque, comigo é que não há problemas... E isso eu garanto!!!!

Fico muito nervosa ao perceber que os homens não conseguem acompanhar a evolução e a conquista da liberdade femininas. Não precisamos precisar deles para querê-los, desejá-los, amá-los. Quando eles vão perceber isso???????

OBS.: Sobre a minha teoria, a amostragem é muito pequena... Foram três casos, sendo dois brasileiros e um gringo... Acho que estou me desesperando à toa, né gente? Deve ser uma maré de azar... Tomara!!!

domingo, 30 de novembro de 2008

A gente não quer só comer, a gente quer comer e quer fazer amor




Este blog está muito certinho para o meu gosto. Então resolvi barbarizar. Porque nas mesas de bar, nos cafés, em casa, no nosso grupinho, o assunto são mesmo os homens. E, claro, sexo. Então vamos falar de sexo, obviamente.

Desenvolvi uma teoria. Por mais que nós, balzaquianas, sejamos livres, independentes, bem resolvidas, maduras, lindas e etc, e, por isso mesmo, possamos ir para a cama com um carinha no primeiro encontro, às vezes temos que segurar a onda... Y otras cositas más...

Percebi o seguinte: o homem propõe de você ir para a cama com ele logo de cara, ou seja, ele, como macho, tem que cumprir esse papel e, se colar, colou. Quando nós resolvemos dar um sim com a maior simplicidade do mundo (afinal ambos somos adultos, maduros e saudáveis), o moço se desespera por dentro. Porque, agora, ele ficou com medo. Porque agora terá de corresponder às expectativas de uma mulher que sabe o que quer. Porque agora não pode falhar. Porque agora é que são elas!

E, muitas vezes, a coisa não vai mesmo... Claro, o cara está neurado! E a gente lá, só queria se divertir, desestressar, curtir... Gente, como homem complica as coisas! Aconteceu comigo e andei perguntando a outras balzaquianas por aí: quando a gente topa ir para a cama no ato, muitos falham, ou ficam meio assim, meio assado, sem muita força, se é que me entendem. E o pior é quando você tem certeza que o moço tem potencial! Se não fossem as neuras...

Conclusão: para nosso próprio bem e uma noite de sexo bom garantida, se a gente agüentar, o negócio é deixar pelo menos para o segundo encontro. Mas, se quiser arriscar, vai fundo, afinal, toda regra tem exceção (ainda bem!!!) e a noite pode ser mesmo maravilhosa!

Estou vivendo essa situação (da “neura” masculina) atualmente com um dos moços que freqüentam minha vida (mas, como diz Carrie, essa é estória pra outro post...). Fiquei quase um ano fechada pra balanço por causa de um mocorongo a quem me dediquei (essa também rende outro post...). Então, agora que estou curada, a fila está movimentada! E pode deixar, que vou compartilhando tudinho com vocês!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

É o amor...


Parece que alguma coisa bacana estava para acontecer.
Eu estava inexplicavelmente diferente
Passei dias
Procurando e lembrando de músicas de amor.
Mas nada do que eu ouvi foi suficiente.
Nem mesmo o poetinha.
Talvez um pouco de Nara….
Acho que o amor talvez seja mesmo piegas.
E a sua trilha sonora
só pode ser brega.
Porque até Vinícius acredita que
para fazer um samba de amor com beleza
é preciso um bocado de tristeza.
Eu discordo.
Acredito na alegria sem fim de se chegar
ao porto seguro do amor.
Onde eu espero ancorar.
Cansei por hora de navegar.
Discordo também de Caetano.
Navegar não é preciso.
Viver é preciso.

Ambiente sonoro sugerido : se o amor é piegas , o título deste post também é o título de uma música super adequada…

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Post do caderno de um blogueiro ilustre



Divórcios e bibliotecas
José Saramago

Por duas vezes, ou talvez tivessem sido três, apareceram-me na Feira do Livro de Lisboa, em anos passados, outros tantos leitores, os dois ou os três, ajoujados ao peso de dezenas de volumes novos, comprados de fresco, e em geral ainda acondicionados nos sacos de plástico de origem. Ao primeiro que assim se me apresentou fiz-lhe a pergunta que me pareceu mais lógica, isto é, se o seu encontro com o meu trabalho de escritor havia sido para ele coisa recente e, pelos vistos, fulminante. Respondeu-me que não, que me lia desde há muito tempo, mas que se tinha divorciado, e que a ex-esposa, também leitora entusiasta, havia levado para a sua nova vida a biblioteca da família agora desfeita. Ocorreu-me então, e sobre isso escrevi umas linhas nos velhos Cadernos de Lanzarote, que seria interessante estudar o assunto do ponto de vista do que nessa altura designei como a importância dos divórcios na multiplicação das bibliotecas. Reconheço que a ideia era algo provocadora, por isso deixei-a em paz, ao menos para não vir a ser acusado de colocar os meus interesses materiais acima da harmonia dos casais. Não sei, nem o imagino, quantas separações conjugais terão dado origem à formação de novas bibliotecas sem prejuízo das antigas. Dois ou três casos, que tantos são os que conheci, não foram suficientes para fazer nascer uma primavera, ou, por palavras mais explícitas, por aí não melhoraram nem os lucros do editor, nem a minha cobrança de direitos de autor.
O que eu francamente não esperava era que a crise económica que nos vem mantendo em estado de alerta contínuo tivesse vindo dificultar ainda mais os divórcios e, portanto, a ambicionada progressão aritmética das bibliotecas, o que, aspecto em que certamente todos estaremos de acordo, significa um autêntico atentado contra a cultura। Que dizer, por exemplo, do problema complexo, e não poucas vezes insolúvel, que é conseguir encontrar hoje comprador para um andar? Se muitos processos de divórcio se encontram estancados, se não avançam nos tribunais, a causa é essa, e não outra. Pior ainda, como deverá proceder-se contra certos comportamentos escandalosos já de domínio público, como é o caso, lamentavelmente frequente e absolutamente imoral, de se continuar a viver na mesma casa, talvez não a dormir na mesma cama, mas a utilizar a mesma biblioteca? Perdeu-se o respeito, perdeu-se o sentido de decoro, eis a desgraçada situação a que chegámos. E não se diga que a culpa é de Wall Street: nas comédias de televisão que eles financiam não se vê um único livro.

Disponível em: http://caderno.josesaramago.org/2008/09/23/divorcios-e-bibliotecas/ Consultado em: 11.nov.2008.

A tranquila (ou nem tanto) viagem do elefante


Imagem – O Elefante – Max Ernst


Na semana passada, a Bravo em uma única matéria me trouxe duas boas notícias : Saramago lançou um livro e um blog. E eu me lancei no carro para a livraria imediatamente a fim de embarcar na Viagem do Elefante desse português (cuja minha estória com ele conto em outro post). Porém, Saramago é sempre surpreendente e ao buscar mais um livro seu, ganhei um brinde surpresa : ver que cheguei em relação a R. (o brasileiro do email) ao confortável estágio da indiferença.

R. estava na livraria onde eu fui buscar o livro. Eu contrariei a Lei de Murphy segundo a qual quando você encontra por um acaso o ex você deve estar de meia furada, chinelo, gorda, despenteada, com olheiras…Eu estava linda nesse dia : sapato de fusca , meia laranja, saia curta de couro, capa do Ronaldo Fraga, maquiagem estilo Amy nos olhos, cabelos secos com secador.

Esta foi a segunda vez que o vi : a primeira ele chegou e não me cumprimentou e eu fiquei então arrasada, arrasada por mim, por ter me enganado tanto sobre alguém que pode ser tão cruel, tão covarde. Chorei e chorei. De outra vez, a notícia de que a mulher pela qual ele me trocou estava ficando com outro na Obra, me fez sentir em um momento de justiça, quando as pessoas têm enfim o que merecem, tipo « bem feito, bem feito ! » Mas , essa sensação ainda me incomodava, pois : primeiro, é um sentimento ruim de se sentir, negativo ; segundo, porque me dizia, sem precisar de nenhuma sessão de análise, que eu ainda estava ligada a ele, por mais que negasse.

Nessa noite de sexta-feira, minha educação e o coração me fizeram dar um oi, seco e pronto. Nada de sofrimento. De verdade, não senti nada. A indiferença chegou e a mágoa foi embora. O coração já pode se ocupar de outras coisas, como a viagem do elefante, que segue em frente e tem a paciência de esperar o tempo quando seu novo dono tomará posse.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Efeito placebo


Teve uma época que me encantei por uma atendente da Drogaria Araújo. Achava ela linda, inclusive acho até hoje. Era uma modelo no meio daqueles remédios todos, desfilando pelas gôndolas. Seu andar era leve, seu sorriso tímido mas penetrante, e um olhar sempre alegre. Enfim, era a atendente dos meus sonhos...e ainda receitava com a classe de uma farmacêutica.

Eu adorava ir à farmácia: comprava um sabonete na terça, no dia seguinte uma esponja, um creme dental na quinta, um aparelho de barbear na sexta, no sábado comprava preservativos, como se quisesse dizer “ei, estou na ativa”...tudo aos poucos, cada dia eu levava um produto e um sorriso para casa.

Mas toda aquela paquera estava me saindo caro, afinal ninguém compra produtos de primeira necessidade numa farmácia e sai com o bolso ileso. Decidi então convidar a menina para sair...sairia mais barato. Mas aí vieram todas aquelas dúvidas masculinas que nos assolam desde a adolescência: “Ela vai aceitar?” “Como abordá-la no serviço sem parecer estúpido?” Enfim, muitas dúvidas na cabeça, mas uma idéia fixa de tê-la mais tarde nos braços.

Então me arrumei mais do que de costume e fui à farmácia cheio de coragem e com frases decoradas em minha cabeça. Ciente de que a cantada perfeita é aquela que sai na hora, mas ainda assim com algumas cartas escondidas na manga, atravessei a movimentada avenida e entrei no templo dos medicamentos, procurando minha musa no meio daquelas caixas de xarope e frascos de laxante. Bem, onde estaria Janaína? (Vamos chamá-la assim).

Eu confesso que a procurei por uns bons três minutos, três eternos minutos sem ver minha musa...eu via sais de frutas, géis, ampolas diversas, revistas, toucas, tintas para cabelo, mas nada de Janaína.

Até que fui interpelado por um atendente que, com um sorriso que me pareceu tão sarcástico, me perguntou: “Procurando algo em especial?

Atônito, respondi: “Bem...a Janaína...

Ele me olhou surpreso e como se não tivesse entendido bem – hoje acho que não entendeu mesmo – prosseguiu: “Desculpe, Senhor, não entendi.

Respondi então: “Bom, estou dando uma olhada, me dá o seu cartão, qualquer coisa eu te peço...er...a Janaína está por aí, eu ainda não a vi hoje...?

Ela está de férias, senhor. Volta no Natal.

Naquele dia confesso que saí da farmácia levando, pela primeira vez, algo que me servisse de remédio para a dor interna que sentia, uma aspirina....dor de não ter tido coragem de convidá-la antes, de ter que esperar todo um mês, de pensar que ela poderia mudar de filial, dor de raiva de mim mesmo, por não ter sido incisivo...enfim, dor aquela que só passaria um mês depois...mas como diria a Carrie, isso é história para outro post...

sábado, 8 de novembro de 2008

Email de resposta a um email de rompimento (na íntegra)








From: C.
To: R.
Subject: RE: sem assunto
Date: Wed, 21 May 2008 18:03:31 +0000

R.,

primeiro, dispenso as desculpas de que você tentou falar comigo:no fim de semana que eu estava super mal, tomando água de coco de colheirinha, vomitando plasil, você sabia bem o endereço e o telefone de onde eu estava. "Não CONSIGO falar", acho uma saída muito fácil e enviar um EMAIL que praticamente punha fim numa relação que me parecia muito intensa, me pareceram atitudes de uma covardia imensa, imensa, que eu não sabia que você era capaz. Afastar-se assim, por meio digital, por escrito, de uma pessoa que há poucos dias atrás você dizia amar tanto... Fiquei pensando no tamanho do lugar de afeto que sobrou pra mim que você tanto falou e eu tanto acreditei: tal lugar devia ser do tamanho de uma kitinete, que de tão pequeno que não coube nem ser solidário e nem o respeito com a pessoa que o ocupava. Por fim, o apoio que eu tanto precisava naquela hora, encontrei em pessoas diversas, algumas muito mais distantes que você. Por outro lado, foi bom perceber que meus amigos que eu andava reclamando que não existiam, na hora em que precisei muito, surgiram de tudo quanto é parte, me mostrando o tanto que fui injusta dizendo "estou sozinha, não tenho mais amigos aqui e blá, blá, blá..."
Passado o momento agudo, se você está mesmo interessado, fiquei quase boa (salvo ainda uma diarréia, às vezes) fui pra São Paulo ver meu orientador e foi ótimo, voltei com mais projetos do que quando eu fui.

Seu email era claro : dizia sobre afastamento e que "em breve" você TENTARIA me ligar, portanto me afastei, sem responder um email que pra mim era direto, conclusivo e que não pedia respostas ou contestação... Pra falar a verdade, nem esperei mesmo que você me ligasse, pois você disse apenas que TENTARIA. E, apesar de você escrever o contrário, achei sim que cabia naquele email um pedido de desculpas pela ausência nos dias doentes anteriores quando eu estava passando um mal do cão.

Mas, estar doente tem um lado bom: faz a gente pensar, pensar porque não pode fazer mais nada mesmo...E fiquei pensando sobre o que você dizia sobre diferenças que tinham surgido mesmo antes do episódio do fatídico vídeo. E não conseguia entender de jeito nenhum como em tão poucos dias uma pessoa pode passar de gestos que pareciam desvelar tanto amor para atitudes como esta, de nem ligar pra saber se a pessoa está bem, por conta de supostas diferenças que você diz que surgiram em dois ou três dias...Estava achando inacreditável, tipo estória de ficção.

Mas, agora eu entendi: falta de assunto em S. A. pra você seria falta de cumplicidade...(falta de intimidade que você diz, eu não vou nem considerar, pois acho que sempre teve muita intimidade sim, se penso no carinho sempre presente, do sexo tão bom como foi lá - porque acho que se não tem intimidade, não rolaria daquele jeito tão bacana...) Hoje, com sua mensagem, confirmei uma das impressões que tive enquanto pensava, pensava...Acho que, mesmo que você não saiba, você imagina ao seu lado uma pessoa, como você mesmo diz, "bafonística" o tempo inteiro, incomum, que tenha sempre tiradas engraçadas, que ocupe sempre um lugar de destaque numa mesa...Sinto te informar que não sou assim: sou divertida, tenho meus bas fonds, mas não sou assim o tempo inteiro, sou uma pessoa comum - tenho TPM, fico doente, fico cansada e não gosto de ser o centro das atenções todo o tempo. Tem alguns momentos que simplesmente olhar pra pessoa por quem eu estou perdidamente apaixonada me bastam e eu não entendo isso como falta de assunto e muito menos como falta de cumplicidade, porque não preciso de ter assunto todo minuto pra demonstrar que gosto de alguém ou me sentir próxima. Principalmente, depois de uma mudança tão grande, mudar de país e voltar, me dou o direito de estar mais reflexiva e sem assunto com você ou com qualquer pessoa. E, me desculpe, mesmo em uma situação normal, sem ter havido nenhuma mudança próxima, eu não me obrigo a ser divertida o tempo todo e nem espero que o outro seja. Pra falar a verdade, eu nem tinha percebido esta tal falta de cumplicidade e tinha achado tudo muito maravilhoso: dormir com você, acordar ao seu lado, tomar café,conversar, mesmo que não muito, decidir lugar das plantas, morrer de cansaço no fim do dia e ter o aconchego do seu colo ouvindo um rádio estranho no fundo do sonho... Cumplicidade pra mim é isto, é gostar de estar junto, de ser feliz juntos, mesmo que feliz apenas com as coisas pequenas que nem sempre rendem assunto ou risada ou, às vezes, pelo contrário, rendem silêncio...que pena que você não entende assim...


Mudando de assunto, realmente, amo Paris. Foi uma experiência muito bacana e isso eu não consigo esconder, por mais que eu evitasse o assunto pra não te deixar inseguro (o que, pra falar a verdade, me travou às vezes, porque você tornou a volta leve, leve, não tive vontade de voltar pra França...mas meus assuntos ainda eram de lá, e eu não queria ficar falando de lá pra não te deixar com esta insegurança e nem correr o risco como você falou, de intimidar seus amigos com estórias e estórias de viagem, correndo o risco de ainda ser pedante em meio à empolgação, então às vezes emudeci mesmo) Mas, Paris é uma cidade que eu não pensava mais em fazer uma opção entre viver lá e você. Muito pelo contrário: eu ficava às vezes fantasiando que a gente poderia envelhecer juntos e felizes lá como a tal bruxa disse :) , nunca voltar pra ficar lá sozinha, sem você. E, mesmo nesta cidade romântica, cheia de glamour, também não me envolvi com alguém que ocupasse o seu lugar, pois apesar de não ter nada combinado, sempre acreditei nas suas declarações de afeto e amor e também me sentia sua cúmplice, sua companheira, mesmo distante fisicamente e sabendo dos riscos desta distância. Voltei pra cá a fim de ficar pra sempre, acreditando que você realmente me esperava, como você disse, e sem querer saber o que houve durante a espera.

Mas, o azar resolveu que eu tinha que saber os "detalhes sórdidos" (que eu não queria saber) desta sua espera da maneira mais indelicada possível: o vídeo realmente me chocou. Volto a dizer, pois talvez eu não tenha sido clara: não tive a intenção de te invadir, acho terrível este tipo de atitude, mas alguém teve a infelicidade de nomear o arquivo do vídeo como "Bergman" - um diretor que eu adoro - e por este ACASO,quando eu estava procurando um filme qualquer para assistir, cliquei no vídeo, achando que eu iria assistir a um filme do saudoso diretor sueco. Quando então... ouço a sua voz, doce,chamando de "amore" uma outra pessoa e beijando esta outra pessoa....aí, tudo desabou e, realmente,aí sim você pode chamar de invasiva a atitude, mas corria amor nas minhas veias que não são de barata e, enfim, vi ainda o outro vídeo , ainda mil vezes pior ...

Doeu demais, mas ainda assim, quis te ouvir, saber de você o que representava hoje pra você esta pessoa. E ainda: acreditei em você e, pelo amor que eu lhe tinha, estava super disposta a passar uma borracha nisso, pois não gosto de guardar rancor e, quando eu decido mesmo superar alguma coisa, com o tempo eu nem lembro mais o que aconteceu. Foi o que eu tentei fazer e , de repente, me pareceu que houve uma inversão das coisas: se tinha alguém que poderia querer pensar se valia a pena continuar depois de ver o que viu e evitar um pouco o outro, esse alguém deveria ser eu e, na verdade, VOCÊ passou a fazer isso. De repente, o que era uma atitude normal, ligar para você , saber o que você iria fazer num determinado dia, passou a ser difícil, pois você começou a fazer com que eu me sentisse como se eu estivesse forçando a barra... Poxa, pera lá, acho muito injusto e às avessas ter que pensar duas vezes se eu posso ou não ligar pro meu próprio namorado ( e se ele vai atender..), sendo que era eu quem estava tentando digerir e compreender uma situação estranha, e ainda por cima eu estava voltando de um hospital e precisava de um mínimo de apoio nessa hora.


Paro por aqui, porque talvez, mais uma vez, eu esteja me expondo demais, me entregando demais a você, colocando aqui o que eu senti. Eu queria conseguir ser fria o suficiente pra dizer um seco "ok, até breve" ou um cínico, "você tem razão, a gente é diferente mesmo, você não tem nada a ver comigo, seja feliz e passe bem", mas não consigo ser menos passional (e piegas) do que sou e iria me fazer muito mal se eu não dissesse o que estava no coração.
Talvez o tempo da delicadeza chegue um dia, mas agora meu sentimento em relação a você, não é de mal estar, é de decepção. E profunda.
C.

Ambiente sonoro do post : Let it die – Feist Copyrights Polydor 2005.

Homenagem à Sophie Calle - Email de rompimento na íntegra (de um outro R., brasileiro)


From: R.
To: C.
Subject: sem assunto
Date: Wed, 21 May 2008 05:11:22 +0000

Oi C.,

Tentei falar com vc algumas vezes mas os telefones não atendiam e não encontrei vc online em qualquer lugar... mandei uma mensagem que não foi respondida e nem tive confirmação de que tenha sido lida.

Espero que esteja melhor de saúde e que tenha descoberto o que houve com vc pois tem sido tudo muito estranho.

Hoje te vi online em todas as formas e morri por dentro por não saber o que e como fazer, por isso escrevo.

Não sei muito bem o que se passa comigo mas me sinto muito mal em relação a nós dois. Na verdade não estou nada bem... ansioso, estressado e desconcentrado. Acho que o que eu temia aconteceu. Perdemos a cumplicidade apesar da vontade de fazer com que tudo desse certo. Não é justo falar nós, se estou falando de mim, então vou corrigir.

O pouco que eu sei é que depois de alguns dias tentando fazer tudo o que eu podia, me dedicando e tentando me colocar dentro da relação, eu concluí que não estava sendo possível. Não sei muito, mas de alguma forma o ano distante fez meu caminho se afastar do seu, minha vida se isolar cada vez mais. Achei estranha a dificuldade de comunicação que senti, a falta de assunto que algumas vezes me pegou, mas principalmente a falta de intimidade que percebi quando estávamos em S. A.. Desculpe mas não consigo lidar e tampouco falar sobre isso e, esse assunto me fisga tanto que me parece agora intransponível e, praticamente, inviabiliza uma reflexão mais profunda com palavras.

C., você sabe muito bem que eu sou intenso e que por isso vivemos muitas oscilações durante o tempo em que estivemos juntos-separados. Tantas vezes eu sumia, tantas vezes você sumia... tantas vezes a gente se aproximava e tantas vezes fazíamos e desfazíamos planos. Quantas vezes te escutei falar do tanto que gostava de Paris e do quanto gostaria de ficar lá para sempre. Eu tenho "trauma" com distância e acho desnecessário e inoportuno discorrer sobre esse assunto.

Não gosto nem de imaginar a imagem que você faz de mim agora porque sinceramente, nunca me senti tão incapaz. Nunca fiz o tipo "sumir" sem conversar em qualquer situação da minha vida, mas confesso que não tem sido possível outra via agora. Não tenho pretensão de desfazer a idéia que você provavelmente faz me mim agora, no entanto tenho que reafirmar algumas coisas. Não me envolvi com profundidade com ninguém nesse tempo em que vc esteve fora mas, não alimentei qualquer idéia de que você não teria algum envolvimento com outra pessoa. De certa maneira achava que seria natural que outras pessoas se aproximassem de ambos. E não estou falando isso para me fazer parecer virtuoso ou pecador. Não fiz porque não era coerente com meus princípios e propósitos de vida, apesar de não haver nenhum "combinado" entre nós em relação a isso. Algumas vezes eu permiti alguma proximidade por carência e sensibilidade. Eu brinquei muitas vezes usando o personagem do "francês" para traduzir minha condição de fragilidade. Maior fragilidade, posto que quem deixou o Brasil foi você, por suas razões, seus motivos, sua vida e sua carreira, por mais justo que tudo isso possa ser, numa decisão muito consciente de todos os riscos, perdas e ganhos que isso pudesse trazer. A sua versão da mesma história tinha a personagem "brega". Tudo muito saudável face às circunstâncias. Foi uma escolha nossa não fazer um acordo a respeito de fidelidade. Eu não proporia nada até porque achava um tanto dificil e mesmo sacana, principalmente pensando que vc estaria em Paris, com todo o glamour que envolve aquela cidade. Afinal tínhamos apenas alguns meses de convivência entrecortada. Mas isso nunca foi um drama, apesar de não ser trivial porque nunca fui do tipo recluso e celibatário por escolha.

A questão de agora é que me sinto muito distante. Sem cumplicidade e sem intimidade. Me sinto um tanto inadequado e constrangido porque você viu algumas cenas que insinuam sedução com outra pessoa. Me sinto invadido por você ter visto meus arquivos pessoais sem meu consentimento. Sinto dificuldades em sintonizar nossos estilos de vida de agora, amigos e situações sociais.

Deixo a poeira interna abaixar para tentar ver com cada vez mais clareza. Me estresso pensando no mal-estar entre nós.

Dou um tempo para que possamos chegar talvez "no tempo da delicadeza" como diria o Chico que vc tanto ama.

Com todo o bem que alguém possa te desejar,


R.

Ambiente sonoro do post : silêncio… (afinal, aviso de término de uma relação por email é para se ler em silêncio, tamanho o choque proporcionado pela covardia)

Encontros e despedidas – parte 2 : Amor de espera


Bom, acho melhor viver apaixonada e algumas (muitas) vezes sentir dores de amor, do que passar pela vida com medo antecipado de sofrer. Eu sempre fui assim, apaixonada por alguém ou pelo que estou fazendo …É lógico que a gente muda com o passar do tempo : se antes eu acreditava que o primeiro amor seria único e duraria para sempre ( e quis morrer quando acabou) hoje sou meio discípula do poetinha, que seja eterno e intenso enquanto dure. Tudo bem, me dei mal várias vezes, mas antes dos finais trágicos (que mais tarde,thanks God, o distanciamento transforma em tragicômicos…) chegarem, muitos momentos felizes acontecem.

Dessa forma, voltei do Peru pensando em R., mas sem esperanças para que essa paixão à distância se desenvolvesse…… Bom, cheguei em casa já com viagem marcada para o dia seguinte para Jericoacora láá no Ceará pra passar o reveillon com uma turma enorme de amigos. Esvaziei a mala com as roupas de frio usadas na Bolívia e Peru e enchi com biquinis, cangas, saias, protetor solar e, de manhã cedinho no outro dia, embarquei em Confins, exausta, sem nem conseguir conversar com minhas 16 amigas e 2 amigos ( a proporção aqui entre mulheres e homens, é sempre assim, muito injusta…).

Depois então de dois vôos e duas conexões com ônibus e jardineira no meio das dunas à noite, estava simplesmente quebrada. Dormi como pedra e fui acordada no início da manhã por meu celular. O número de telefone que chamava era longo, estranho (principalmente pra quem está dormindo e não consegue entender que se trata de uma chamada internacional…). Sim, é o que você está pensando : era uma chamada da Polônia.

Enquanto eu chegava na praia, R. também acabava de chegar em sua casa do outro lado do oceano. Este telefonema foi o primeiro de vários. Sempre apaixonados, sempre cheios de promessas. No Reveillon, ele calculou o horário e me ligou exatamente na hora em que os fogos acendiam o céu e o mar cearenses. Fiquei emocionada, tomei um porre para esquecer a distância entre o Brasil e a Polônia e, como sempre acontece nesses momentos de alto teor alcóolico, comecei a falar em outra língua. Paixão faz a gente pagar cada mico…

Fim das férias de verão. De volta em casa. Mais uma surpresa de R. : um pacote cheios de filmes e Cds de música polonesa, acompanhados por bilhetinhos que explicavam um por um e uma carta de amor…Ai, ai…

Ai, ai número 2 : no dia 14 de fevereiro , Valentine’s Days, recebo um cartão virtual de R., que dessa vez trocara o inglês das nossas comunicações usuais por uma sopa de letrinhas … Consultei na internet dicionários de polonês-inglês, polonês-francês, polonês-português, polonês-espanhol e finalmente consegui traduzir a mensagem : « estou indo para o Brasil na Páscoa para te ver , para conhecer sua cidade, conhecer seu mundo. Sinto muito sua falta. Vamos comemorar nesse dia então um verdadeiro Dia dos Namorados. R. »

Eu não conseguia conter a minha alegria, mal conseguia acreditar. Para acreditar tive que escrever pra ele , pra confirmar se realmente eu tinha entendido bem…Era isso mesmo, os dicionários eram bons mesmo.

Depois da euforia, fase de planejar todos os detalhes pra que a recepção a R. fosse a melhor do mundo. A minha casa eu enchi de detalhes românticos e velas perfumadas, sabonetes. Imprimi e aprendi a dizer frases polacas românticas (tipo Kocham Ciebie- eu te amo) …

Como ele queria conhecer o Rio, comprei passagem de ônibus pra eu ir pra lá recebê-lo, além passagens de avião para nós dois voltarmos para a minha cidade. Na Cidade Maravilhosa, uma amiga minha nos receberia por alguns dias e ainda, cederia o seu quarto de casal para nós. Cuidei de tudo, pensei até nas coisas pequenas : como conseguir atestado médico com a irmã de uma amiga pra ele poder usar a piscina do prédio. Planejava ainda um super café da manhã e sonhava com esta manhã do reencontro….

Mas, você que me lê com certeza já percebeu a utilização da conjugação no imperfeito… Pois é, quem dera se apenas os verbos fossem imperfeitos… que as pessoas que os utilizam não tivessem seus problemas, suas inseguranças… Conto em breve como essa estória termina em um outro post…

ambiente sonoro do post no arquivo abaixo: música Czy mnie jeszcze pamiętasz? (você ainda se lembra de mim ?) de Czesław Niemen – copyright 2005 EMI Music Poland



segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Outras viagens de trem...


Nem sempre se conhece alguém nesses momentos de espera। Desta vez, a pessoa mais próxima de mim só sabia dormir…Me ocupei então de observar o cenário, registrar impressões…

Rolos no campo de trigo como rocamboles de doce de leite.
Café da manhã francês.
Sono (que o acaso quis que fosse em 1ª classe).
Passagem pela Bélgica : lembranças remotas de um outro verão europeu, outras pessoas… a minha vida também era outra (e eu nem sabia então que estava tão prestes a mudar)
Até as cidades parecem outras….
Antuérpia era tão grande assim ?
Esta é a mesma estação de onde um dia eu saí para um dia de chocolates, massas e bicicletas em Bruges ? Será mesmo ?

E esses girassóis gigantes ? eles também estavam aqui ?
Não eram campos de tulipas que me encantaram da outra vez ?

Por que tentar lembrar de um tempo que nem era mais tão feliz e que ficou tão para trás como Paris também está agora ?

Todas as trens-moças falam comigo numa língua esquisita. Tenho por um acaso cara de holandesa ? (talvez, já me perguntaram algumas vezes se eu era de lá…) Francês, uma língua estranha (holandês ou flamenco ?) e o ronco do moço gordo ao meu lado se misturam e ficam ainda mais altos quando o trem diminui e parece deslizar nos trilhos…

Melhor a fazer é voltar a prestar a atenção na paisagem :
Campos de milho ( ?!).
Plantações de pombas brancas em um terreno de terras escuras.
Vaquinhas malhadas como na propaganda de leite.
Pequenas hortas com folhas estranhas.
Casas cujos telhados parecem freiras de chapéu.
Estamos em Rosendaal.
(vou colocar uma rolha no moço que ronca !)
Vagões de trens coloridamente pichados.
Casinhas afogadas em mais campos de milho.

Mais plantações de vaquinhas de propaganda.
Ovelhas pra variar e mais uma estação que passa correndo.
(não consigo ler o nome…)
Onde estão os campos de tulipas vermelhas ?
Ficaram apenas no coração ?
Mais casas-freiras.
Gostaria de aprender a pintar : seria mias legal do que escrever imagens.
Moinhos brancos.
E isso ?
é o mar ?
Parece tanto a ponte Rio-Niterói…
As placas têm sopas de letrinhas.
Como conseguem colocar tanta consoante numa palavra só ??
Mais casas-freira, azuis, escuras, reclusas, isoladas nos bosques..
Dordretch : já estamos na Holanda ? Me faltam mapas para saber…

Sinto frio, sinto saudade.
Sinto falta de alguém para compartilhar as sensações.
Alguém que não seja um velho diário de papel.
Posso resumir tudo numa única palavra: solidão,
é o que eu sinto.

Sono.
Túnel.
(bem conveniente para um cochilo)
Meu telefone toca :
Ninguém. ☹ Só uma mensagem da operadora de celular…
Mas, de verdade mesmo, ninguém…

Rotterdam.
Estação moderna,
cheia de círculos e cores e túneis para dormir.
Uma mesquita moderna.
Torres finas, altas e verdes.

Plantações de caixas pretas.
E agora ?
Que cidade é esta ? Que formas são essas ?
Mais um moinho.
Campos multicor.
Campos de flor.
Campos de lavanda.

Amsterdan.
Cheiro de marihuana no ar.
Cidade moderna.
Casa de Van Gogh.
Mulheres na vitrine.
Cidade forte.
Forte a banalização do sexo.
Forte a descriminalização da droga.
Fortes as marcas da guerra.
Fortes lembranças das leituras de adolescente
ao entrar na casa de Anne Frank.
Forte e interessante esta cidade cheia de canais, casas tortas e sex-shops como lojas de souvenirs…
Quero voltar.
Mas não quero voltar sozinha.
Quero me perder aqui.
Mas na companhia de alguém.
Para que seja ainda mais divertido do que já é.

(estou cuidando do ambiente sonoro deste post, enquanto isso deixo que a imaginação de quem me lê trabalhe com o silêncio…)

sábado, 25 de outubro de 2008

Antes do amanhecer (ou Encontros e despedidas- parte 1)

Esta estória poderia acontecer em qualquer lugar do mundo real ou dos filmes. Qualquer lugar que tenha trens , ônibus ou aviões. Qualquer lugar que durante um espaço de tempo você convive com algumas pessoas que nunca viu. Poderia até ser em uma fila de banco ou na sala de espera do dentista. Enfim…a falta de assunto, a espera aliadas ao acaso, podem te levar a conhecer pessoas diferentes que passam e que, por algumas vezes, ficam mais tempo que a gente esperava…

Comigo aconteceu assim: estava eu viajando sozinha por terras peruanas, sem pensar em amores, sem procurar ninguém, sem nenhuma inspiração para viver qualquer tipo de aventura.Porém, o acaso nos traz algumas surpresas… Depois de passar por cidades que não fazem parte da rota turística comum (como Puno, que, fora as ilhas flutuantes do Titicaca, mais parece uma João Monlevade ou uma Manhuaçu peruana) me rendi a um dos pontos mais procurados na América Latina : Machu Picchu. E assim, sem muitas expectativas nem mesmo em relação à cultuada cidade inca, embarquei no trem.

No balanço do trem, rodeada por um cenário maravilhoso, conheci R. : um moço polonês ultra mega simpático e lindo. E assim embarcamos numa conversa animada até Machu Picchu. Combinamos então de fugir do local programado por todos para almoçar e descobrimos um restaurante muito mais interessante e vazio no vilarejo onde se pega o trem de volta, onde também o assunto não acabava....

E foi nesse trem da volta que aconteceu o esperado desde a ida: beijos calorosos, cinematográficos. Na chegada em Cusco, com o coração dividido pela alegria do encontro e a tristeza da despedida que sabíamos ser definitiva (afinal, a Polônia não é logo ali…), embarquei no ônibus de volta para La Paz, com telefones e endereço da Polônia e a promessa de R. de me ligar.

Amores de trem são deliciosos, mas são casos passageiros, são feitos de encontros, mas principalmente de despedidas. Só rendem alguma coisa nos filmes água com açúcar de Hollywood. Era o que eu pensava na viagem de volta. Mas R. me provou que, felizmente, eu poderia estar enganada… (continua em outro post)

Arquivo abaixo: ambiente sonoro sugerido : Tam-tam Poema de Aimé Césaire - Ed। Gallimard Música, arranjo e vozes: Fréderic Pagés

sexta-feira, 10 de outubro de 2008