terça-feira, 11 de novembro de 2008

A tranquila (ou nem tanto) viagem do elefante


Imagem – O Elefante – Max Ernst


Na semana passada, a Bravo em uma única matéria me trouxe duas boas notícias : Saramago lançou um livro e um blog. E eu me lancei no carro para a livraria imediatamente a fim de embarcar na Viagem do Elefante desse português (cuja minha estória com ele conto em outro post). Porém, Saramago é sempre surpreendente e ao buscar mais um livro seu, ganhei um brinde surpresa : ver que cheguei em relação a R. (o brasileiro do email) ao confortável estágio da indiferença.

R. estava na livraria onde eu fui buscar o livro. Eu contrariei a Lei de Murphy segundo a qual quando você encontra por um acaso o ex você deve estar de meia furada, chinelo, gorda, despenteada, com olheiras…Eu estava linda nesse dia : sapato de fusca , meia laranja, saia curta de couro, capa do Ronaldo Fraga, maquiagem estilo Amy nos olhos, cabelos secos com secador.

Esta foi a segunda vez que o vi : a primeira ele chegou e não me cumprimentou e eu fiquei então arrasada, arrasada por mim, por ter me enganado tanto sobre alguém que pode ser tão cruel, tão covarde. Chorei e chorei. De outra vez, a notícia de que a mulher pela qual ele me trocou estava ficando com outro na Obra, me fez sentir em um momento de justiça, quando as pessoas têm enfim o que merecem, tipo « bem feito, bem feito ! » Mas , essa sensação ainda me incomodava, pois : primeiro, é um sentimento ruim de se sentir, negativo ; segundo, porque me dizia, sem precisar de nenhuma sessão de análise, que eu ainda estava ligada a ele, por mais que negasse.

Nessa noite de sexta-feira, minha educação e o coração me fizeram dar um oi, seco e pronto. Nada de sofrimento. De verdade, não senti nada. A indiferença chegou e a mágoa foi embora. O coração já pode se ocupar de outras coisas, como a viagem do elefante, que segue em frente e tem a paciência de esperar o tempo quando seu novo dono tomará posse.

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