
From: R.
To: C.
Subject: sem assunto
Date: Wed, 21 May 2008 05:11:22 +0000
Oi C.,
Tentei falar com vc algumas vezes mas os telefones não atendiam e não encontrei vc online em qualquer lugar... mandei uma mensagem que não foi respondida e nem tive confirmação de que tenha sido lida.
Espero que esteja melhor de saúde e que tenha descoberto o que houve com vc pois tem sido tudo muito estranho.
Hoje te vi online em todas as formas e morri por dentro por não saber o que e como fazer, por isso escrevo.
Não sei muito bem o que se passa comigo mas me sinto muito mal em relação a nós dois. Na verdade não estou nada bem... ansioso, estressado e desconcentrado. Acho que o que eu temia aconteceu. Perdemos a cumplicidade apesar da vontade de fazer com que tudo desse certo. Não é justo falar nós, se estou falando de mim, então vou corrigir.
O pouco que eu sei é que depois de alguns dias tentando fazer tudo o que eu podia, me dedicando e tentando me colocar dentro da relação, eu concluí que não estava sendo possível. Não sei muito, mas de alguma forma o ano distante fez meu caminho se afastar do seu, minha vida se isolar cada vez mais. Achei estranha a dificuldade de comunicação que senti, a falta de assunto que algumas vezes me pegou, mas principalmente a falta de intimidade que percebi quando estávamos em S. A.. Desculpe mas não consigo lidar e tampouco falar sobre isso e, esse assunto me fisga tanto que me parece agora intransponível e, praticamente, inviabiliza uma reflexão mais profunda com palavras.
C., você sabe muito bem que eu sou intenso e que por isso vivemos muitas oscilações durante o tempo em que estivemos juntos-separados. Tantas vezes eu sumia, tantas vezes você sumia... tantas vezes a gente se aproximava e tantas vezes fazíamos e desfazíamos planos. Quantas vezes te escutei falar do tanto que gostava de Paris e do quanto gostaria de ficar lá para sempre. Eu tenho "trauma" com distância e acho desnecessário e inoportuno discorrer sobre esse assunto.
Não gosto nem de imaginar a imagem que você faz de mim agora porque sinceramente, nunca me senti tão incapaz. Nunca fiz o tipo "sumir" sem conversar em qualquer situação da minha vida, mas confesso que não tem sido possível outra via agora. Não tenho pretensão de desfazer a idéia que você provavelmente faz me mim agora, no entanto tenho que reafirmar algumas coisas. Não me envolvi com profundidade com ninguém nesse tempo em que vc esteve fora mas, não alimentei qualquer idéia de que você não teria algum envolvimento com outra pessoa. De certa maneira achava que seria natural que outras pessoas se aproximassem de ambos. E não estou falando isso para me fazer parecer virtuoso ou pecador. Não fiz porque não era coerente com meus princípios e propósitos de vida, apesar de não haver nenhum "combinado" entre nós em relação a isso. Algumas vezes eu permiti alguma proximidade por carência e sensibilidade. Eu brinquei muitas vezes usando o personagem do "francês" para traduzir minha condição de fragilidade. Maior fragilidade, posto que quem deixou o Brasil foi você, por suas razões, seus motivos, sua vida e sua carreira, por mais justo que tudo isso possa ser, numa decisão muito consciente de todos os riscos, perdas e ganhos que isso pudesse trazer. A sua versão da mesma história tinha a personagem "brega". Tudo muito saudável face às circunstâncias. Foi uma escolha nossa não fazer um acordo a respeito de fidelidade. Eu não proporia nada até porque achava um tanto dificil e mesmo sacana, principalmente pensando que vc estaria em Paris, com todo o glamour que envolve aquela cidade. Afinal tínhamos apenas alguns meses de convivência entrecortada. Mas isso nunca foi um drama, apesar de não ser trivial porque nunca fui do tipo recluso e celibatário por escolha.
A questão de agora é que me sinto muito distante. Sem cumplicidade e sem intimidade. Me sinto um tanto inadequado e constrangido porque você viu algumas cenas que insinuam sedução com outra pessoa. Me sinto invadido por você ter visto meus arquivos pessoais sem meu consentimento. Sinto dificuldades em sintonizar nossos estilos de vida de agora, amigos e situações sociais.
Deixo a poeira interna abaixar para tentar ver com cada vez mais clareza. Me estresso pensando no mal-estar entre nós.
Dou um tempo para que possamos chegar talvez "no tempo da delicadeza" como diria o Chico que vc tanto ama.
Com todo o bem que alguém possa te desejar,
R.
Ambiente sonoro do post : silêncio… (afinal, aviso de término de uma relação por email é para se ler em silêncio, tamanho o choque proporcionado pela covardia)
To: C.
Subject: sem assunto
Date: Wed, 21 May 2008 05:11:22 +0000
Oi C.,
Tentei falar com vc algumas vezes mas os telefones não atendiam e não encontrei vc online em qualquer lugar... mandei uma mensagem que não foi respondida e nem tive confirmação de que tenha sido lida.
Espero que esteja melhor de saúde e que tenha descoberto o que houve com vc pois tem sido tudo muito estranho.
Hoje te vi online em todas as formas e morri por dentro por não saber o que e como fazer, por isso escrevo.
Não sei muito bem o que se passa comigo mas me sinto muito mal em relação a nós dois. Na verdade não estou nada bem... ansioso, estressado e desconcentrado. Acho que o que eu temia aconteceu. Perdemos a cumplicidade apesar da vontade de fazer com que tudo desse certo. Não é justo falar nós, se estou falando de mim, então vou corrigir.
O pouco que eu sei é que depois de alguns dias tentando fazer tudo o que eu podia, me dedicando e tentando me colocar dentro da relação, eu concluí que não estava sendo possível. Não sei muito, mas de alguma forma o ano distante fez meu caminho se afastar do seu, minha vida se isolar cada vez mais. Achei estranha a dificuldade de comunicação que senti, a falta de assunto que algumas vezes me pegou, mas principalmente a falta de intimidade que percebi quando estávamos em S. A.. Desculpe mas não consigo lidar e tampouco falar sobre isso e, esse assunto me fisga tanto que me parece agora intransponível e, praticamente, inviabiliza uma reflexão mais profunda com palavras.
C., você sabe muito bem que eu sou intenso e que por isso vivemos muitas oscilações durante o tempo em que estivemos juntos-separados. Tantas vezes eu sumia, tantas vezes você sumia... tantas vezes a gente se aproximava e tantas vezes fazíamos e desfazíamos planos. Quantas vezes te escutei falar do tanto que gostava de Paris e do quanto gostaria de ficar lá para sempre. Eu tenho "trauma" com distância e acho desnecessário e inoportuno discorrer sobre esse assunto.
Não gosto nem de imaginar a imagem que você faz de mim agora porque sinceramente, nunca me senti tão incapaz. Nunca fiz o tipo "sumir" sem conversar em qualquer situação da minha vida, mas confesso que não tem sido possível outra via agora. Não tenho pretensão de desfazer a idéia que você provavelmente faz me mim agora, no entanto tenho que reafirmar algumas coisas. Não me envolvi com profundidade com ninguém nesse tempo em que vc esteve fora mas, não alimentei qualquer idéia de que você não teria algum envolvimento com outra pessoa. De certa maneira achava que seria natural que outras pessoas se aproximassem de ambos. E não estou falando isso para me fazer parecer virtuoso ou pecador. Não fiz porque não era coerente com meus princípios e propósitos de vida, apesar de não haver nenhum "combinado" entre nós em relação a isso. Algumas vezes eu permiti alguma proximidade por carência e sensibilidade. Eu brinquei muitas vezes usando o personagem do "francês" para traduzir minha condição de fragilidade. Maior fragilidade, posto que quem deixou o Brasil foi você, por suas razões, seus motivos, sua vida e sua carreira, por mais justo que tudo isso possa ser, numa decisão muito consciente de todos os riscos, perdas e ganhos que isso pudesse trazer. A sua versão da mesma história tinha a personagem "brega". Tudo muito saudável face às circunstâncias. Foi uma escolha nossa não fazer um acordo a respeito de fidelidade. Eu não proporia nada até porque achava um tanto dificil e mesmo sacana, principalmente pensando que vc estaria em Paris, com todo o glamour que envolve aquela cidade. Afinal tínhamos apenas alguns meses de convivência entrecortada. Mas isso nunca foi um drama, apesar de não ser trivial porque nunca fui do tipo recluso e celibatário por escolha.
A questão de agora é que me sinto muito distante. Sem cumplicidade e sem intimidade. Me sinto um tanto inadequado e constrangido porque você viu algumas cenas que insinuam sedução com outra pessoa. Me sinto invadido por você ter visto meus arquivos pessoais sem meu consentimento. Sinto dificuldades em sintonizar nossos estilos de vida de agora, amigos e situações sociais.
Deixo a poeira interna abaixar para tentar ver com cada vez mais clareza. Me estresso pensando no mal-estar entre nós.
Dou um tempo para que possamos chegar talvez "no tempo da delicadeza" como diria o Chico que vc tanto ama.
Com todo o bem que alguém possa te desejar,
R.
Ambiente sonoro do post : silêncio… (afinal, aviso de término de uma relação por email é para se ler em silêncio, tamanho o choque proporcionado pela covardia)
Um comentário:
Covarde!
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