
Teve uma época que me encantei por uma atendente da Drogaria Araújo. Achava ela linda, inclusive acho até hoje. Era uma modelo no meio daqueles remédios todos, desfilando pelas gôndolas. Seu andar era leve, seu sorriso tímido mas penetrante, e um olhar sempre alegre. Enfim, era a atendente dos meus sonhos...e ainda receitava com a classe de uma farmacêutica.
Eu adorava ir à farmácia: comprava um sabonete na terça, no dia seguinte uma esponja, um creme dental na quinta, um aparelho de barbear na sexta, no sábado comprava preservativos, como se quisesse dizer “ei, estou na ativa”...tudo aos poucos, cada dia eu levava um produto e um sorriso para casa.
Mas toda aquela paquera estava me saindo caro, afinal ninguém compra produtos de primeira necessidade numa farmácia e sai com o bolso ileso. Decidi então convidar a menina para sair...sairia mais barato. Mas aí vieram todas aquelas dúvidas masculinas que nos assolam desde a adolescência: “Ela vai aceitar?” “Como abordá-la no serviço sem parecer estúpido?” Enfim, muitas dúvidas na cabeça, mas uma idéia fixa de tê-la mais tarde nos braços.
Então me arrumei mais do que de costume e fui à farmácia cheio de coragem e com frases decoradas em minha cabeça. Ciente de que a cantada perfeita é aquela que sai na hora, mas ainda assim com algumas cartas escondidas na manga, atravessei a movimentada avenida e entrei no templo dos medicamentos, procurando minha musa no meio daquelas caixas de xarope e frascos de laxante. Bem, onde estaria Janaína? (Vamos chamá-la assim).
Eu confesso que a procurei por uns bons três minutos, três eternos minutos sem ver minha musa...eu via sais de frutas, géis, ampolas diversas, revistas, toucas, tintas para cabelo, mas nada de Janaína.
Até que fui interpelado por um atendente que, com um sorriso que me pareceu tão sarcástico, me perguntou: “Procurando algo em especial?”
Atônito, respondi: “Bem...a Janaína...”
Ele me olhou surpreso e como se não tivesse entendido bem – hoje acho que não entendeu mesmo – prosseguiu: “Desculpe, Senhor, não entendi.”
Respondi então: “Bom, estou dando uma olhada, me dá o seu cartão, qualquer coisa eu te peço...er...a Janaína está por aí, eu ainda não a vi hoje...?”
“Ela está de férias, senhor. Volta no Natal.”
Naquele dia confesso que saí da farmácia levando, pela primeira vez, algo que me servisse de remédio para a dor interna que sentia, uma aspirina....dor de não ter tido coragem de convidá-la antes, de ter que esperar todo um mês, de pensar que ela poderia mudar de filial, dor de raiva de mim mesmo, por não ter sido incisivo...enfim, dor aquela que só passaria um mês depois...mas como diria a Carrie, isso é história para outro post...
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