
Bom, acho melhor viver apaixonada e algumas (muitas) vezes sentir dores de amor, do que passar pela vida com medo antecipado de sofrer. Eu sempre fui assim, apaixonada por alguém ou pelo que estou fazendo …É lógico que a gente muda com o passar do tempo : se antes eu acreditava que o primeiro amor seria único e duraria para sempre ( e quis morrer quando acabou) hoje sou meio discípula do poetinha, que seja eterno e intenso enquanto dure. Tudo bem, me dei mal várias vezes, mas antes dos finais trágicos (que mais tarde,thanks God, o distanciamento transforma em tragicômicos…) chegarem, muitos momentos felizes acontecem.
Dessa forma, voltei do Peru pensando em R., mas sem esperanças para que essa paixão à distância se desenvolvesse…… Bom, cheguei em casa já com viagem marcada para o dia seguinte para Jericoacora láá no Ceará pra passar o reveillon com uma turma enorme de amigos. Esvaziei a mala com as roupas de frio usadas na Bolívia e Peru e enchi com biquinis, cangas, saias, protetor solar e, de manhã cedinho no outro dia, embarquei em Confins, exausta, sem nem conseguir conversar com minhas 16 amigas e 2 amigos ( a proporção aqui entre mulheres e homens, é sempre assim, muito injusta…).
Depois então de dois vôos e duas conexões com ônibus e jardineira no meio das dunas à noite, estava simplesmente quebrada. Dormi como pedra e fui acordada no início da manhã por meu celular. O número de telefone que chamava era longo, estranho (principalmente pra quem está dormindo e não consegue entender que se trata de uma chamada internacional…). Sim, é o que você está pensando : era uma chamada da Polônia.
Enquanto eu chegava na praia, R. também acabava de chegar em sua casa do outro lado do oceano. Este telefonema foi o primeiro de vários. Sempre apaixonados, sempre cheios de promessas. No Reveillon, ele calculou o horário e me ligou exatamente na hora em que os fogos acendiam o céu e o mar cearenses. Fiquei emocionada, tomei um porre para esquecer a distância entre o Brasil e a Polônia e, como sempre acontece nesses momentos de alto teor alcóolico, comecei a falar em outra língua. Paixão faz a gente pagar cada mico…
Fim das férias de verão. De volta em casa. Mais uma surpresa de R. : um pacote cheios de filmes e Cds de música polonesa, acompanhados por bilhetinhos que explicavam um por um e uma carta de amor…Ai, ai…
Ai, ai número 2 : no dia 14 de fevereiro , Valentine’s Days, recebo um cartão virtual de R., que dessa vez trocara o inglês das nossas comunicações usuais por uma sopa de letrinhas … Consultei na internet dicionários de polonês-inglês, polonês-francês, polonês-português, polonês-espanhol e finalmente consegui traduzir a mensagem : « estou indo para o Brasil na Páscoa para te ver , para conhecer sua cidade, conhecer seu mundo. Sinto muito sua falta. Vamos comemorar nesse dia então um verdadeiro Dia dos Namorados. R. »
Eu não conseguia conter a minha alegria, mal conseguia acreditar. Para acreditar tive que escrever pra ele , pra confirmar se realmente eu tinha entendido bem…Era isso mesmo, os dicionários eram bons mesmo.
Depois da euforia, fase de planejar todos os detalhes pra que a recepção a R. fosse a melhor do mundo. A minha casa eu enchi de detalhes românticos e velas perfumadas, sabonetes. Imprimi e aprendi a dizer frases polacas românticas (tipo Kocham Ciebie- eu te amo) …
Como ele queria conhecer o Rio, comprei passagem de ônibus pra eu ir pra lá recebê-lo, além passagens de avião para nós dois voltarmos para a minha cidade. Na Cidade Maravilhosa, uma amiga minha nos receberia por alguns dias e ainda, cederia o seu quarto de casal para nós. Cuidei de tudo, pensei até nas coisas pequenas : como conseguir atestado médico com a irmã de uma amiga pra ele poder usar a piscina do prédio. Planejava ainda um super café da manhã e sonhava com esta manhã do reencontro….
Mas, você que me lê com certeza já percebeu a utilização da conjugação no imperfeito… Pois é, quem dera se apenas os verbos fossem imperfeitos… que as pessoas que os utilizam não tivessem seus problemas, suas inseguranças… Conto em breve como essa estória termina em um outro post…
ambiente sonoro do post no arquivo abaixo: música Czy mnie jeszcze pamiętasz? (você ainda se lembra de mim ?) de Czesław Niemen – copyright 2005 EMI Music Poland
Dessa forma, voltei do Peru pensando em R., mas sem esperanças para que essa paixão à distância se desenvolvesse…… Bom, cheguei em casa já com viagem marcada para o dia seguinte para Jericoacora láá no Ceará pra passar o reveillon com uma turma enorme de amigos. Esvaziei a mala com as roupas de frio usadas na Bolívia e Peru e enchi com biquinis, cangas, saias, protetor solar e, de manhã cedinho no outro dia, embarquei em Confins, exausta, sem nem conseguir conversar com minhas 16 amigas e 2 amigos ( a proporção aqui entre mulheres e homens, é sempre assim, muito injusta…).
Depois então de dois vôos e duas conexões com ônibus e jardineira no meio das dunas à noite, estava simplesmente quebrada. Dormi como pedra e fui acordada no início da manhã por meu celular. O número de telefone que chamava era longo, estranho (principalmente pra quem está dormindo e não consegue entender que se trata de uma chamada internacional…). Sim, é o que você está pensando : era uma chamada da Polônia.
Enquanto eu chegava na praia, R. também acabava de chegar em sua casa do outro lado do oceano. Este telefonema foi o primeiro de vários. Sempre apaixonados, sempre cheios de promessas. No Reveillon, ele calculou o horário e me ligou exatamente na hora em que os fogos acendiam o céu e o mar cearenses. Fiquei emocionada, tomei um porre para esquecer a distância entre o Brasil e a Polônia e, como sempre acontece nesses momentos de alto teor alcóolico, comecei a falar em outra língua. Paixão faz a gente pagar cada mico…
Fim das férias de verão. De volta em casa. Mais uma surpresa de R. : um pacote cheios de filmes e Cds de música polonesa, acompanhados por bilhetinhos que explicavam um por um e uma carta de amor…Ai, ai…
Ai, ai número 2 : no dia 14 de fevereiro , Valentine’s Days, recebo um cartão virtual de R., que dessa vez trocara o inglês das nossas comunicações usuais por uma sopa de letrinhas … Consultei na internet dicionários de polonês-inglês, polonês-francês, polonês-português, polonês-espanhol e finalmente consegui traduzir a mensagem : « estou indo para o Brasil na Páscoa para te ver , para conhecer sua cidade, conhecer seu mundo. Sinto muito sua falta. Vamos comemorar nesse dia então um verdadeiro Dia dos Namorados. R. »
Eu não conseguia conter a minha alegria, mal conseguia acreditar. Para acreditar tive que escrever pra ele , pra confirmar se realmente eu tinha entendido bem…Era isso mesmo, os dicionários eram bons mesmo.
Depois da euforia, fase de planejar todos os detalhes pra que a recepção a R. fosse a melhor do mundo. A minha casa eu enchi de detalhes românticos e velas perfumadas, sabonetes. Imprimi e aprendi a dizer frases polacas românticas (tipo Kocham Ciebie- eu te amo) …
Como ele queria conhecer o Rio, comprei passagem de ônibus pra eu ir pra lá recebê-lo, além passagens de avião para nós dois voltarmos para a minha cidade. Na Cidade Maravilhosa, uma amiga minha nos receberia por alguns dias e ainda, cederia o seu quarto de casal para nós. Cuidei de tudo, pensei até nas coisas pequenas : como conseguir atestado médico com a irmã de uma amiga pra ele poder usar a piscina do prédio. Planejava ainda um super café da manhã e sonhava com esta manhã do reencontro….
Mas, você que me lê com certeza já percebeu a utilização da conjugação no imperfeito… Pois é, quem dera se apenas os verbos fossem imperfeitos… que as pessoas que os utilizam não tivessem seus problemas, suas inseguranças… Conto em breve como essa estória termina em um outro post…
ambiente sonoro do post no arquivo abaixo: música Czy mnie jeszcze pamiętasz? (você ainda se lembra de mim ?) de Czesław Niemen – copyright 2005 EMI Music Poland
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