quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Coração vazio


A cabeça anda tão ocupada que o coração anda vazio.Nem tem tempo pra bater por alguém, bate sozinho, sem nenhum sentimento que o ocupe, apesar da alma andar serelepe, leve, leve...
 Por isso talvez , tanta ausência aqui no blog... Mas, o Caderno, apesar de vazio, não morreu... 
Em breve, vou voltar a escrever...nem que seja sobre ausências.....

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Idade????

Se uma balzaquiana se relaciona com um homem 12 anos mais velho, provavelmente, ninguém estranhará. Se ele for bem-sucedido, então... Só elogios!!!
Mas, se uma de nós, mulheres lindas, maduras e bem-resolvidas, nos relacionamos com um homem 12 anos mais novo, a coisa muda de figura para a maioria dos olhares "de fora". Afinal, o tal homem seria apenas "um garoto"!
No auge dos meus 35, estou sendo cercada por todos os lados por um "garoto" de 23... E, diante da situação, confesso que pesa a diferença. Digo para mim todos os dias que ele é uma boa pessoa, papo agradável e, imaginem vocês, já está no doutorado!!! Ele me corteja, me bajula, me cerca... Mas ainda não cedi... Nem um beijo sequer...
A verdade é que se fosse uma atração física irresistível, mandaria a diferença de idade pro inferno e o escambal... Mas não é. O que tem me atraído é o cuidado para comigo. A atenção. Essa coisa boa e antiga que é o ato de cortejar, de conquistar...
Por que tenho tanta dúvida? Tanta dificuldade de aceitar, de arriscar? Medo? Preconceito? Frescura? Não tenho respostas... Haverá alguma?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Homem tem que matar bicho


Éramos seis mulheres num almoço. A conversa surgiu do nada e a frase caiu na mesa como uma bomba que espalhou estilhaços para todos os lados: "Homem tem que matar bicho!". Foi o estopim para a discussão: homem tem que ser macho, fazer coisas de macho, como matar bicho, carregar peso, consertar as coisas. Isso seria o kit básico que deveria vir com o moço ao nascer e desenvolvido mais tarde. Todas concordaram.

Mas daí surgiu outra discussão: mas ele também tem que abrir a porta do carro e fazer todas a gentilezas que nós, mulheres, amamos. Ok. Todas concordaram novamente. Mas a discórdia foi se isso seria também algo que tivesse que vir com o macho. Umas acharam que sim. Outras que não, o macho poderia ser adestrado.

O blá blá blá levou a conversa para novos rumos: ser macho é o mínimo. Tem que vir com o homem. Mas ser machista já é outra coisa. Que nenhuma de nós quer! E ser gentil é outra coisa completamente diferente ainda e a gentileza é algo que o macho que é macho pode ou não ter.

No final das contas, a conclusão foi de que o macho tem mesmo que matar bicho, mas também que mostar o pau. Afinal, também é básico ter um homem que funciona e bem. Ser gentil seria um componente extra, um plus... Como é difícil ter tudo na vida!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Pesquisa furada! Eba!!!


No dia 1 de dezembro, teci alguns comentários sobre a "pesquisa" que estava fazendo. As hipóteses caíram por terra na minha viagem de natal e ano novo (ainda bem!). Um brasuca, claro, mostrou que o problema estava nos três moços anteriores e que eu passava era por uma maré de azar. Nada a reclamar desse aí! Aleluia! Pelo menos entrei 2009 com tudo "funcionando" na mais perfeita ordem!

Mas, foi só romance de férias mesmo, já teve um ponto final. E, para falar a verdade, depois de passar por uma fase de pegação total, agora ando bem sossegada. E não estou a fim de figurinha repetida. Mesmo o moço da manutenção levou um cartão vermelho. Sei lá. Ando sem paciência. Vocês não ficam assim de vez em quando, meninas? Meio cansada deles e de suas dificuldades de dar conta de tudo de bom que a gente é: mulheres bonitas, inteligentes e independentes?
Estou com o foco no meu trabalho agora, na pesquisa (de verdade, acadêmica, rs) que venho desenvolvendo. Até que apareça algo que me desperte de novo, afinal, continuo vivinha da silva, não é?!!!

(Imagem: Pablo Picasso, Friendship)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O amor pode ser perigoso - reflexão final

Como se vê, trata-se de uma paranóia altamente requintada. O homem não apenas era ciumento. Ele imaginava coisas e arquitetava planos mirabolantes.
Armou toda uma situação para que eu saísse com outro: me fragilizou, com diversos rompimentos; me mantinha "em ponto de bala" com e-mails muito quentes e amorosos; evitava encontrar-me; assumia uma atitude liberal, compreensiva, em relação a cada um ter sua vida, já que estávamos tão longe um do outro. Chegou a dizer que acharia muito normal que eu saísse com meu ex, quando certa vez comentei que havíamos nos encontrado casualmente em uma exposição.
Porém, a verdade é que desde o início da relação, o tempo todo, sempre que H. não tinha controle sobre alguma parte do meu dia, ele realmente imaginava que eu estava com outros homens. Essas "feridas imaginárias" foram se acumulando, se acumulando. Mas ele não podia me acusar diretamente, porque faltava que eu mesma admitisse.
Foi engolindo isso e continuando a montar sua armadilha, até que quando finalmente eu saí com o ex, ele se sentiu "realizado". Confirmou o que tanto o atormentava. Ele precisava de um fato concreto, que eu mesma admitisse, para que toda a sua loucura fizesse algum sentido.
A partir daí, na fase em que ficamos "amigos", ele se dedicou a "acompanhar" o que ele imaginava ser uma vida de altas orgias, para satisfazer minha"insaciável sexualidade". Todas as "brincadeiras" que ele fazia eram para ele verdades -- como quando disse: "Se você não tivesse passado a noite se divertindo, agora teria mais concentração pra trabalhar". Ele de fato achava que, nos horários ou dias em que eu não dava notícias, estava com outros homens.
Criou essa imagem fantasiosa em sua mente doentia. Com isso, se sentia satisfeito, porque estava provado que de fato eu não era uma pessoa de confiança.
Em cima de toda essa loucura ele criou a imagem de uma mulher "insaciável", que precisa sempre de "muitos homens".
Depois de ficar ofendida, p. da vida, enfurecida, eu até dei risada.
(Se ele soubesse que há poucos meses eu procurei meu ginecologista pra pedir alguma pomadinha que me acendesse um pouco... ahahahaha Não sei se é a proximidade da menopausa, mas a verdade é que minha libido estava muito baixa. Quando comecei com ele a coisa melhorou, fiquei mais ligada, mas mesmo assim à custa de uma certa pomadinha muito eficiente.)
Bem, minha resposta ao último e-mail dele, não preciso dizer, foi um arraso.
Em palavras muito bem escolhidas, eu esculhambei o moço do sótão ao porão. Disse que ele não é homem pra ter uma relação amorosa de verdade com nenhuma mulher. E terminei assim:
Sou mulher demais pra você.

O amor pode ser perigoso - mensagem dele

A resposta dele:
Creio que você continua tendo uma enorme dificuldade para me ver, ou seja, para entender as dores e as consequências que suas atitudes têm provocado em mim.
Uma vez mais você acredita que tem toda a razão e que eu tenho todas as culpas.
Já aprendi a entender alguns de seus mecanismos psicológicos. Sei, inclusive, quando você vai sair com um homem e até mesmo o que vai fazer. Já te demonstrei isso várias vezes.
Você tem um fogo interior que não corresponde a nenhum homem com exclusividade, sua necessidade sexual é assim, eu a compreendo, mas não consigo acompanhá-la.
Pense, por favor, que minha dignidade pertence a mim, que eu respeito absolutamente cada um dos atos de sua vida mas que isso só supõe um ato de amizade.
A esta altura te conheço muito e será muito difícil ter com você uma relação amorosa.
Podemos ir para a cama para nos divertirmos, mas sei que os seus impulsos e desejos me excedem muito amplamente.
Tento ser muito claro com você (e com todos). Meus braços continuam abertos, mas farei todos os esforços para que meu amor encontre outros portos mais serenos.
Aspiro a ser um homem de uma só mulher e que minha mulher seja também de um só homem.
Gosto muito de você, mas sei que seus desejos são irrefreáveis.

O amor pode ser perigoso - parte V (epílogo)

Então, acabou acontecendo!
Eu estava muito fragilizada, porque a cada briga nossa por causa de detalhes de minha rotina que eu esquecia de contar ele terminava tudo, dizendo que eu não sabia amá-lo, não correspondia à sua dedicação, etc. Isso me derrubava, porque num dia ele me colocava em um pedestal e no dia seguinte ele me tirava de sua vida com um e-mail longo e furioso.
Reencontrei meu ex-namorado, que vivia me assediando, saímos, conversa vai, conversa vem, e o H. já havia dito tantas vezes que isso seria muito natural e compreensível... rolou!
Nosso trato, meu e de H., era sempre contar tudo um ao outro, e esse acordo isso era reforçado todos os dias. Assim, contei a ele o que aconteceu...
Mesmo sem vê-lo, podia perceber que ele estava lívido, arrasado, enfurecido enquanto me escrevia.
Terminou tudo, dizendo que eu ferira sua dignidade masculina. Quando lembrei a ele toda a compreensão que ele havia demonstrado e as propostas (absurdas) que fizera, ele me disse que não era bem assim. Isso exigiria que tivéssemos feito um acordo prévio a esse respeito.
Terminamos -- mas a história não acabou. Depois de uns dias, ele propôs que continuássemos amigos e eu topei.
As mensagens agora eram mais superficiais, mais profissionais. Discutíamos literatura, ele me mandava os textos que está escrevendo, eu opinava. Eu pedia algum conselho sobre um trabalho, trocávamos idéias.
Aos poucos, voltaram a surgir mensagens subliminares, meio em tom de brincadeira.
Uma vez, por exemplo, mandei uma mensagem de manhã e disse que eu acordara meio tarde e me sentia um pouco cansada. Ele respondeu que da próxima vez eu deveria fazer um sexo mais light antes de dormir. Eu ri, achei que fosse uma piada de dois amigos...
Entre uma e outra dessas brincadeiras, as mensagens foram se tornando mais afetuosas, mas ainda em tom de amizade.
Para não dar motivo para novas cenas de ciúme, e para marcar bem a situação como de amizade, eu não contava muito sobre o meu dia e às vezes ficava um dia sem escrever.
Mas mesmo assim havia um certo acompanhamento da rotina um do outro, embora com menos detalhes. Em um certo momento, vi que eu estava me acostumando demais àquela comunicação, que estava tudo muito vivo ainda.
Então, lhe escrevi um longo e-mail falando de meus sentimentos, retomando as nossas brigas, dizendo que tudo aquilo não fazia muito sentido, já que nos gostávamos de verdade. Era, de uma forma ou de outra, uma carta de amor.
Mas eu sabia que não daria para continuar. Assim, pedi que nos afastássemos por um tempo, até que os sentimentos se acalmassem e pudéssemos ter uma amizade mais tranquila.
O e-mail que ele me mandou em seguida e minha resposta a essa mensagem formam o capítulo final. Nele tudo fica claro.