
Muitas vezes tenho saudades de minha infância, quando, despreocupado, flanava pelas ruas do bairro, jogava bola, jogava conversa fora com os amigos, brincava de pique-esconde, polícia e ladrão, queimada...
Muitas vezes me vem uma saudade dos que já foram, mas que de alguma forma nunca partiram...aí me vêm lembranças de cheiros, gostos, formas e sentimentos.
Algumas vezes, tenho saudades de outros lugares em que morei...das ruas, das pessoas, do clima, dos hábitos, dos cinemas, das livrarias...
Hoje, não senti saudades de minha infância, nem dos que já foram, mas não partiram, nem dos outros lugares em que morei. Hoje senti saudades de você.
Muitas vezes eu me pergunto o porquê de as coisas serem como elas foram ou como elas são entre nós, e muitas vezes a resposta está tão clara, tão perto que eu próprio não enxergo, tamanha a trava - que bíblico isso! - que se coloca diante dos meus olhos.
Não quero viver num mundo de erros ou acertos, tampouco achar que as coisas poderiam ser de uma forma ou de outra...não sou chegado a especulações! Tudo o que eu queria, e confesso que hoje, em especial, era te abraçar de novo, e te dizer tantas coisas que não tive a oportunidade ou a coragem de te dizer antes.
Às vezes posso até sentir saudades da cor castanha das montanhas, mas hoje queria o azul celestial.
Hoje queria que a noite se encerrasse - ou se iniciasse - ao som de qualquer música que fosse, tocada para a lua ali fora, que, cheia, insiste em me lembrar de você.
E você (quantas vezes me pego perguntando), você tem saudades de que(m)?


