sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O amor pode ser perigoso - reflexão final

Como se vê, trata-se de uma paranóia altamente requintada. O homem não apenas era ciumento. Ele imaginava coisas e arquitetava planos mirabolantes.
Armou toda uma situação para que eu saísse com outro: me fragilizou, com diversos rompimentos; me mantinha "em ponto de bala" com e-mails muito quentes e amorosos; evitava encontrar-me; assumia uma atitude liberal, compreensiva, em relação a cada um ter sua vida, já que estávamos tão longe um do outro. Chegou a dizer que acharia muito normal que eu saísse com meu ex, quando certa vez comentei que havíamos nos encontrado casualmente em uma exposição.
Porém, a verdade é que desde o início da relação, o tempo todo, sempre que H. não tinha controle sobre alguma parte do meu dia, ele realmente imaginava que eu estava com outros homens. Essas "feridas imaginárias" foram se acumulando, se acumulando. Mas ele não podia me acusar diretamente, porque faltava que eu mesma admitisse.
Foi engolindo isso e continuando a montar sua armadilha, até que quando finalmente eu saí com o ex, ele se sentiu "realizado". Confirmou o que tanto o atormentava. Ele precisava de um fato concreto, que eu mesma admitisse, para que toda a sua loucura fizesse algum sentido.
A partir daí, na fase em que ficamos "amigos", ele se dedicou a "acompanhar" o que ele imaginava ser uma vida de altas orgias, para satisfazer minha"insaciável sexualidade". Todas as "brincadeiras" que ele fazia eram para ele verdades -- como quando disse: "Se você não tivesse passado a noite se divertindo, agora teria mais concentração pra trabalhar". Ele de fato achava que, nos horários ou dias em que eu não dava notícias, estava com outros homens.
Criou essa imagem fantasiosa em sua mente doentia. Com isso, se sentia satisfeito, porque estava provado que de fato eu não era uma pessoa de confiança.
Em cima de toda essa loucura ele criou a imagem de uma mulher "insaciável", que precisa sempre de "muitos homens".
Depois de ficar ofendida, p. da vida, enfurecida, eu até dei risada.
(Se ele soubesse que há poucos meses eu procurei meu ginecologista pra pedir alguma pomadinha que me acendesse um pouco... ahahahaha Não sei se é a proximidade da menopausa, mas a verdade é que minha libido estava muito baixa. Quando comecei com ele a coisa melhorou, fiquei mais ligada, mas mesmo assim à custa de uma certa pomadinha muito eficiente.)
Bem, minha resposta ao último e-mail dele, não preciso dizer, foi um arraso.
Em palavras muito bem escolhidas, eu esculhambei o moço do sótão ao porão. Disse que ele não é homem pra ter uma relação amorosa de verdade com nenhuma mulher. E terminei assim:
Sou mulher demais pra você.

4 comentários:

Mr. Big disse...

UAU! Simplesmente UAU! Esse thriller psicológico que vc viveu bota qualquer "dormindo com o inimigo" no chinelo. É uma história e tanto, da qual vc conseguiu se livrar graças a lucidez e inteligência...esse cara deveria estar listado naquelas famosas listas dos grandes vilões de todos os tempos...parabéns, minha companheira de blog! Seu texto nos prende até a última palavra! E qdo acabamos de ler dá uma sensação de alívio por vc!
Bjos

carrie disse...

Simplesmente adorei a última frase.Acho que o coloca no seu devido lugar. E que lá permaneça. E quieto, sem te atormentar mais.

carrie disse...

Isso me dá uma idéia para duas novas coleções estranhas: coleção das primeiras frases que pessoas apaixonadas trocam no início do relacionamento e coleção das últimas frases de mensagens de rompimento.

Samantha disse...

UAU mesmo!!!! Cada loco nesse mundo viu, deus nos livre!!!! E que narrativa, nossa! Prende do início ao fim!