Demorei um pouco a perceber o que estava por detrás de tanto interesse, pois estava muito encantada com aquele homem -- amoroso ao extremo, carinhoso como nenhum outro, a todo momento demonstrando total adoração por mim.
Ressaltava minhas qualidades, encontrava outras que eu nem conhecia (e nem sei se são mesmo reais), me deu presentes, me levou a lugares fantásticos.
Além de tudo, é uma pessoa com muitas qualidades intelectuais, uma figura pública, cultíssimo, dinâmico, bem relacionado, versado especialmente em artes plásticas, música, cinema, literatura e política.
Nada bonito, é verdade. Obeso, muitos anos mais velho que eu, calvo e, como quase todo homem, com alguns hábitos de higiene que poderiam ser bem melhorados.
Mas eu estava apaixonada, fazer o quê? Além do mais, sempre tive uma visão muito pessoal dessa história de aparência física e idade. Meus valores são muito outros.
Por estar tão envolvida, custei a perceber que todo o interesse dele pelos detalhes do meu dia não passava de uma estratégia de controle.
O primeiro episódio em que isso ficou claro -- o primeiro de uma série -- aconteceu quando fui à universidade levar uns documentos para uma amiga que faz mestrado em minha cidade mas vive em outra.
Como sempre, de manhã fiz o relato da minha agenda, dizendo que iria à universidade levar os documentos. Acontece que decidi passar o dia lá, para almoçar num restaurante gostoso do campus, ir à biblioteca, fazer umas pesquisas, etc.
Quando voltei e o procurei por e-mail, ele estava transtornado. Falava de um jeito estranho, que custei a compreender. Todas as suas frases tinham dois textos: o texto literal e um subtexto agressivo, irônico, carregado de fúria. Foram necessárias várias frases para que eu entendesse que o que valia mesmo era o subtexto. Ele dizia, por exemplo: "Que bom para F. ter uma amiga assim, tão dedicada". Me mandava beijos, me chamava de "meu amor", mas depois entendi que tudo isso eram agressões.
Depois desse episódio vieram outros. Eu tentava ir levando, conversando, dizendo que isso não tinha importância, o que importava eram nossos sentimentos.
Aos poucos, foi-se desenhando a imagem de um homem extemamente ciumento e possessivo.
Mas sabe de uma coisa? O ciúme pode ser muito perigoso.
Ele não admitia que era ciumento de jeito nenhum. Para ele, nada daquilo era ciúme ou desejo de controlar a minha vida. Era apenas um modo de demonstrar afeto, de manter a proximidade, de ter uma vida em comum apesar da distância. E ele era tão convincente que às vezes eu quase acreditava. Além disso, as mulheres às vezes cometem o erro de se sentir lisonjeadas com o ciúme do parceiro. Isso é um grande equívoco!!
Como explicarei melhor no próximo bloco deste relato, os labirintos de sua mente eram muito, muito obscuros. A inteligência, as leituras, o senso estético e a extrema habilidade com as palavras se converteram em instrumentos poderosos, com os quais ele construiu uma armadilha tão bem elaborada que acabou por me capturar.
Ressaltava minhas qualidades, encontrava outras que eu nem conhecia (e nem sei se são mesmo reais), me deu presentes, me levou a lugares fantásticos.
Além de tudo, é uma pessoa com muitas qualidades intelectuais, uma figura pública, cultíssimo, dinâmico, bem relacionado, versado especialmente em artes plásticas, música, cinema, literatura e política.
Nada bonito, é verdade. Obeso, muitos anos mais velho que eu, calvo e, como quase todo homem, com alguns hábitos de higiene que poderiam ser bem melhorados.
Mas eu estava apaixonada, fazer o quê? Além do mais, sempre tive uma visão muito pessoal dessa história de aparência física e idade. Meus valores são muito outros.
Por estar tão envolvida, custei a perceber que todo o interesse dele pelos detalhes do meu dia não passava de uma estratégia de controle.
O primeiro episódio em que isso ficou claro -- o primeiro de uma série -- aconteceu quando fui à universidade levar uns documentos para uma amiga que faz mestrado em minha cidade mas vive em outra.
Como sempre, de manhã fiz o relato da minha agenda, dizendo que iria à universidade levar os documentos. Acontece que decidi passar o dia lá, para almoçar num restaurante gostoso do campus, ir à biblioteca, fazer umas pesquisas, etc.
Quando voltei e o procurei por e-mail, ele estava transtornado. Falava de um jeito estranho, que custei a compreender. Todas as suas frases tinham dois textos: o texto literal e um subtexto agressivo, irônico, carregado de fúria. Foram necessárias várias frases para que eu entendesse que o que valia mesmo era o subtexto. Ele dizia, por exemplo: "Que bom para F. ter uma amiga assim, tão dedicada". Me mandava beijos, me chamava de "meu amor", mas depois entendi que tudo isso eram agressões.
Depois desse episódio vieram outros. Eu tentava ir levando, conversando, dizendo que isso não tinha importância, o que importava eram nossos sentimentos.
Aos poucos, foi-se desenhando a imagem de um homem extemamente ciumento e possessivo.
Mas sabe de uma coisa? O ciúme pode ser muito perigoso.
Ele não admitia que era ciumento de jeito nenhum. Para ele, nada daquilo era ciúme ou desejo de controlar a minha vida. Era apenas um modo de demonstrar afeto, de manter a proximidade, de ter uma vida em comum apesar da distância. E ele era tão convincente que às vezes eu quase acreditava. Além disso, as mulheres às vezes cometem o erro de se sentir lisonjeadas com o ciúme do parceiro. Isso é um grande equívoco!!
Como explicarei melhor no próximo bloco deste relato, os labirintos de sua mente eram muito, muito obscuros. A inteligência, as leituras, o senso estético e a extrema habilidade com as palavras se converteram em instrumentos poderosos, com os quais ele construiu uma armadilha tão bem elaborada que acabou por me capturar.
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